Não Subestime Quem a Criou

(Fonte:www.kraftfuttermischwerk.de)

"Tudo bem, bem o que vem então é da natureza; mas não subestime então quem a criou." (De Menos Crime  Fogo na Bomba).

A frase acima é extraída do Rap do grupo De Menos Crime intitulada "Fogo na Bomba". Não subestimar quem criou a Cannabis Sativa, é o que o Rapper diz em seus versos. Discriminar quem fuma maconha, na visão do MC, se equivale a subestimar os desígnios de Deus por ter criado a planta. Por motivos óbvios, a musica gerou muita polêmica, pois por muitos foi rechaçada, e para outros, um hino para legalização. 

Nós da Teologia do Gueto resolvemos buscar, por intermédio da Palavra, meios para estabelecer uma relação entre o que fora dito pelo rapper Mikiba no inicio da blogagem, e sua posição como exegese ou falácia. 

Concluímos que a confluência existe! Mas para isso, se faz necessário analisar profundamente e criticamente as Escrituras para absolver o que queremos dizer. Primeiramente, vamos ver o que a Bíblia diz em relação ao vinho. Porque essa reviravolta? Para compreender primeiro o que a Palavra difere de beber eventualmente e saborear a bebida ao pecado da embriaguez. Jesus Ben Sirac, um judeu da diáspora, autor do Livro do Eclesiástico (se faz necessário ter uma Bíblia Católica em mãos para acompanhar o trecho) diz que "O vinho traz vida aos homens, desde que você o beba com moderação. Que vida existe quando falta o vinho? Ele foi criado para alegrar as pessoas. Bebido em tempo certo e na medida certa, o vinho trás gozo para o coração e alegria para a alma" (Eclo 31,27-28). Logo, concluímos que o vinho é algo prazeroso e que, degustado eventualmente e na dosagem certa, trás alegria as pessoas, mas, adverte para seu demasiado uso: "Todavia, bebido em excesso, por vício ou por desafio, o vinho traz amargura para alma. A embriagues aumenta a ira do insensato para sua própria ruína, diminuindo-lhe as forças e provocando ferimentos" (Eclo 31,29-30). O Rei Salomão também alerta sobre seu uso em demasia: "O vinho provoca insolência, e o licor causa barulho: quem se embriaga com eles não chega a ser sábio. Não fique fascinado pelo vinho, vendo sua cor e seu brilho, enquanto escorre suavemente pelo copo. No fim, ele morde como cobra e fere como víbora. Então seus olhos verão coisas estranhas, e sua mente imaginará coisas absurdas" (Pr 20, 1;23,31-33). Que conclusão temos então da bebida alcoólica, e o vinho em especial? Que seu uso não é restrito, e que se usada de maneira correta, pode ser prazeroso e agradável.

Mas voltemos a maconha. No livro do Gênesis, temos um versículo importante na qual as ervas são criações divinas: "Vejam! Eu entrego a vocês todas as ervas que produzem semente e que estão sobre a terra, e todas as árvores em que há frutos que dão semente: tudo isso será alimento para vocês" (Gn 1, 29). Segundo o gênesis, Deus disse todas! Se Ele disse todas, incluímos também a Cannabis Sativa. Porque? A Cannabis Sativa pertence ao grupo das Angiospermas, ou seja, é um vegetal que possui sementes, flores e frutos. Quando Deus diz que será alimento, esse alimento poderia também ser espiritual. Se na sua concepção você achar isso um estapafúrdio, imagine ao cético crer que Jesus se faz vivo na Eucaristia? Um Deus que se faz vivo em um pedaço de pão? É difícil contrapor esse argumento com alguém sem fé. Negar a Cannabis Sativa como uso espiritual e profaná-la, pode se configurar como um erro teológico. Seu uso pelos Rastafári é concluente com as palavras do Criador no Livro do Gênesis. 

Aceito (ou não) a ideia da Cannabis Sativa como obra de Deus, vamos ao Livro dos Salmos: "Tu fazes brotar relva para o rebanho, e plantas úteis para o homem" (Sl 104, 14). Sua "utilidade" é encontrada no tratamento de esclerose múltipla (como no caso famoso de Montrel Williams), Mal de Alzheimer (cujo THD da Cannabis Sativa, de acordo com Scripps Institute, nos EUA, é um elemento de grande auxilio contra a doença), crises convulsivas (uso de Canabidiol) Mal de Parkinson (artigo da revista Journal of Psycopharmacology, da Associação Britânica de Farmacologia, comprova a sua eficácia) e até mesmo, câncer (de acordo com a AACR - American Association for Cancer Research, nos EUA, a Cannabis Sativa desacelera o processo das células cancerígenas), são alguns exemplos de sua "utilidade" ao homem. Se ainda não consegue aceitar a Cannabis Sativa como criação divina, aceite pelo menos que há uma afluência entre o Salmista e as comprovações científicas citadas. 

Para concluir, a Teologia do Gueto não quer, de maneira nenhuma, citar apologias ao uso de maconha ou não. Apenas propomos uma visão teológica de trechos bíblicos e o influxo das informações. Usando os exemplos do vinho, a Cannabis Sativa teria o mesmo efeito, ou seja: usado de maneira incorreta e abusiva, causam muitos malefícios e nada benéfico. O problema em imaginar a maconha como uma criação divina é simples, pois a primeira visão de falar em Cannabis Sativa nos remota ao baseado de maconha, tráfico de drogas e associações pejorativas a seu uso. Vale lembrar que, a Pastoral Carcerária e outros movimentos sociais e de direitos humanos, acreditam que, descriminar o uso de maconha para consumo próprio, como por exemplo, para fumo, diminuiria em 30% a população carcerária do Brasil. Mas isso seria outra história e outra blogagem... 

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